Cultura Digital: a comunicação a serviço da livre expressão

In: Notícias

18 nov 2009

A realização do debate “Cultura Digital: a comunicação a serviço da livre expressão” , na quarta-feira (18/11), marcou o início da cobertura compartilhada do Festival de Cultura do Paraná. Temas como software livre, direitos autorais, telecentros, internet, banda larga e mídia livre foram abordados e ajudaram os participantes a aprofundar a discussão a respeito da produção cultural e sua relação com as novas tecnologias da informação e comunicação. Como debatedores, estiveram presentes os representantes do Coletivo Soylocoporti e do Pontão de Cultura Kuai Tema, Marco Amarelo Konopacki, da Companhia Paranaense de Informática (Celepar), Cláudio Dutra, da Cultura Digital do Ministério da Cultura, Thiago Skárnio, e da Casa Brasil, Carmelita Berthier.

Tiago Skarnio (MinC) falou de cultura digital; ao lado, Cláudio Dutra (Celepar), Camelita Berthier (Casa Brasil) e Marco Amarelo Konopacki (Soylocoporti).

Tiago Skarnio (MinC), Cláudio Dutra (Celepar), Camelita Berthier (Casa Brasil) e Marco Amarelo Konopacki (Soylocoporti)

Para Skárnio, a internet coloca em evidência a necessidade de se debater o modelo atual de produção de conhecimento, disponibilizando outras formas de organização econômica e social da cultura. “Fica clara a necessidade de flexibilização dos direitos autorais. Isto não significa deixar de reconhecer a autoria das obras, mas sim disponibilizá-las para que sejam apropriadas e reinventadas por outras pessoas”, afirma. Ele pontuou que licenças como o creative commons, por exemplo, já são reconhecidas no Brasil e permitem um uso mais flexível dos produtos, a partir do interesse do autor e sem incorrer em quebra do seu direito.

Em sintonia com a proposta da cobertura compartilhada, que privilegia a comunicação horizontalizada, Dutra destacou a questão das redes sociais, assim como o software livre. Para ele, as barreiras impostas pelos grandes veículos de comunicação, seja formatando linguagens ou colocando determinados assuntos em debate, podem ser rompidas de forma natural com o uso das redes sociais. “Com a cultura digital não temos que falar o que eles querem que falemos e nem ouvir apenas o que querem que ouçamos. É possível quebrar essa lógica e as redes sociais têm demonstrado que isso é possível”, explica.

Carmelita destacou a necessidade de políticas públicas que tratem de forma perene da inclusão. Para ela, as ações existentes ainda são dispersas e não garantem a continuidade dos programas. Disso resultaria, segunda afirma, a exclusão de uma grande parcela da população, que fica à margem do impacto e das possibilidades das novas tecnologias. Ela pondera que “se não houver uma política de Estado para a Internet e banda larga, seguiremos excluindo muita gente. É fundamental olhar para essa questão com responsabilidade, assegurando o direito à comunicação de todas e todos”.

Participantes entram no debate e no clima da comunicação compartilhada, registrando o evento.

Participantes entram no debate e no clima da comunicação compartilhada, registrando o evento

No encerramento do debate, Marco Amarelo falou brevemente sobre o surgimento do movimento contracultural nos anos 60, problematizando conceitos como liberdade, interatividade e autonomia. Segundo ele, o berço da internet foi esse momento histórico, sendo que a natureza do meio está intimamente ligada a esses conceitos. “A internet não pode ser controlada, nem ser alvo de censura. Sua organização descentralizada faz parte de sua essência e a define como um veículo democrático e que permite uma alta interatividade”, conclui.

Os debates da comunicação compartilhada seguem durante todo o Festival de Cultura. Amanhã, às 15 horas, no Pátio da Reitoria acontece o painel “Mídia Livre: experiências de comunicação compartilhada”. Além disso, durante o evento as pessoas que tiverem interesse em participar da produção de conteúdo, seja por meio de textos, fotos, áudio e vídeo, podem procurar o QG da comunicação compartilhada, que fica na Rua General Carneiro, esquina com a XV de Novembro – uma casa azul, da Assufepar.  As reuniões de pauta são abertas e acontecem diariamente, às 19h30

“Este material foi produzido por Rachel Bragatto, de Curitiba, do Pontão Kuai Tema e faz parte da Comunicação Compartilhada do Festival de Cultura do Paraná. As fotos foram tiradas por Michele Torinelli, do coletivo Soylocoporti. A iniciativa consiste no entendimento da comunicação como ação política e não apenas como canal de circulação de informações. Trata-se de um proceso de interpretação da realidade desenvolvido colaborativamente em contraposição à lógica competitiva da mídia de massas. Para saber mais, acesse: cc.nosdarede.org.br”

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Sobre a Comunicação Compartilhada

Durante o Festival, além de você curtir apresentações culturais, pode também produzir conteúdo midiático a respeito. Aqui você tem voz, não precisa de intermediário! Jornalista ou não, você pode colocar sua opinião e participar da cobertura do Festival. São três laboratórios de vídeo, áudio e texto, que estão disponíveis para aqueles que querem construir colaborativamente as notícias. Para participar é só chegar. Conheça abaixo os locais e as pessoas que já estão envolvidas. Entre em contato e venha dar sua mensagem!

Fotos do Festival de Cultura

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