Mídia livre em debate no Festival de Cultura

In: Notícias

19 nov 2009

Produção de conteúdo, mídia independente, estrutura da internet e formas de apropriação das novas tecnologias estiveram em debate na tarde desta quinta-feira (19) durante o painel “Mídia Livre: experiências de comunicação compartilhada”, que contou com a participação das representantes do Pontão de Cultura Ganesha, Luciane Zuê, do Estúdio Livre, Fabianne Balvedi, e do Pontão Kuai Tema, Rachel Bragatto.

Rachel Bragatto, Luciane Zuê e Fabianne Balvedi, no painel de quinta

Rachel Bragatto, Luciane Zuê e Fabianne Balvedi, no painel de quinta

De modo geral, foi destacado que a estrutura midiática atual é extremamente concentrada e impede a pluralidade e diversidade de visões e interpretações de mundo. “É fundamental que nos apropriemos dos veículos midiáticos, uma vez que a comunicação é um direito de todas e todos. Temos que falar e não apenas ouvir”, afirmou Rachel, problematizando o oligopólio presente na radiodifusão brasileira. Segundo ela, são apenas seis grupos que dominam o setor no Brasil o que faz com que o modo de entender o país, de nos entender e de entender o próximo seja altamente influenciado pelos padrões que interessam a estes grupos.

Por sua vez, Luciane Zuê trouxe a experiência do jornalismo cidadão, projeto desenvolvido pelo Pontão Ganesha, e descreveu algumas iniciativas que estão em curso e demonstram que é possível levar o exercício da comunicação aos mais diversos segmentos, despertando interesse e visão crítica nas pessoas, tanto em relação às suas próprias realidades quanto em relação à mídia. “A proposta do jornalismo cidadão é a de que a notícia seja produzida no meio em que é gerada. Assim, conseguimos pensar na comunicação efetivada numa relação ‘ideal’, onde quem produz a notícia e quem a  recebe estão, sim, no mesmo nível”, destaca.  A consequência direta dessa prática, segundo salienta, é que a realidade de cada comunidade seria retratada de uma maneira mais próxima, possibilitando a pluralidade das informações e a própria preservação da cultura do local.

E as novas tecnologias, assim como as possibilidades abertas por elas, foram o foco da fala de Fabianne Balvedi, que explicou as diferenças entre software livre e software proprietário e problematizou as tentantivas de controle e comercialização do uso da Internet hoje. “Nós usamos um código para nos comunicarmos uns com os outros que, no caso do Brasil, é a língua brasileira. Imaginem se alguém patenteasse a nossa língua e tivéssemos que pagar para falar? Ou se não soubéssemos qual o código para nos comunicar?” indaga. De acordo com ela, a grosso modo, é isso que acontece em relação aos softwares – eles são o código que permite a comunicação do ser humano com as máquinas e há empresas cobrando e não permitindo que o código seja acessado, transformado e replicado – o que inviabiliza o acesso ao conhecimento.

Os debates acerca da interface entre cultura e comunicação continuam amanhã e sábado, com uma mesa chamada “Representação das Negras e Negros na Mídia” (sexta-feira, 13h30, na Reitoria) e outra, “Cultura Livre, Direitos Autorais e o Movimento Música Para Baixar” (sábado, 15 horas, na Reitoria). Para participar, basta comparecer.

“Este material foi produzido por Rachel Bragatto e Luciane Zuê, dos Pontões Kuai Tema – Curitiba – e Ganesha – Florianópolis, respectivamente, e faz parte da Comunicação Compartilhada do Festival de Cultura do Paraná. A foto é de autoria de Michele Torinelli, jornalista integrante do Coletivo Soylocoporti. A iniciativa consiste no entendimento da comunicação como ação política e não apenas como canal de circulação de informações. Trata-se de um proceso de interpretação da realidade desenvolvido colaborativamente em contraposição à lógica competitiva da mídia de massas. Para saber mais, acesse: http://cc.nosdarede.org.br”

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Sobre a Comunicação Compartilhada

Durante o Festival, além de você curtir apresentações culturais, pode também produzir conteúdo midiático a respeito. Aqui você tem voz, não precisa de intermediário! Jornalista ou não, você pode colocar sua opinião e participar da cobertura do Festival. São três laboratórios de vídeo, áudio e texto, que estão disponíveis para aqueles que querem construir colaborativamente as notícias. Para participar é só chegar. Conheça abaixo os locais e as pessoas que já estão envolvidas. Entre em contato e venha dar sua mensagem!

Fotos do Festival de Cultura

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