A tradição indiana nos conta que as formas geométricas atuam no nosso subconsciente, assim como independentemente do nosso conhecimento sobre fisiologia, a digestão dos alimentos se dará espontaneamente. Nesse sentido, a forma do quadrado está associada à dimensão da matéria, o triângulo à dimensão da mente e o círculo, por sua vez, é associado à dimensão espiritual. Todas as dimensões atuam juntas e são complementares. Nesse sentido, as moradoras circulares, conhecimentos das tradições de diversos povos ancestrais, têm o poder de canalização do fluxo energético espiritual.
A geodésica é uma morada circular mais recente, cujo referencial atual é o estadunidense Richard Buckminster Fuller, autor do livro “Manual de operação da espaçonave Terra” e também construtor das maiores geodésicas que existem no Planeta.
O tipi é original dos povos da América do Norte. Ao construir uma morada circular é importante levar em conta que uma parte receberá luz e calor mais do que a outra. O posicionamento, portanto, deve levar em conta a direção do Astro Sol.
Original da tradição mongol, o yurte é uma das moradas mais versáteis e eficientes em termos de montagem e desmontagem. Assim, é possível desmontá-la e, com pouco peso, transportá-la. A forma geométrica base é o losango e o telhado é feito por meio de vigamento recíproco, de tal forma que um bambu sustenta o outro.
A possibilidade de construção da própria casa, para a qual podemos beber na fonte de tantas tradições milenares, consiste em um feito muito importante para a evolução do ser humano, o qual o prepara para receber novos aprendizados. Esses valiosos ensinamentos foram transmitidos de Mandala para Dandara, quem agora os compartilha com todos os corações atentos.
MORADAS CIRCULARES – PARTE DE UM CÍRCULO MAIOR
Por Jaciara
As moradas circulares que foram montadas na Praça Santos Andrade para abrigar atividades do Festival de Cultura 5 anos são como vitrines de uma proposta fora do convencional: a Autoconstrutividade.
Como o nome sugere, trata-se de uma iniciativa em que as pessoas constroem suas próprias casas, utilizando conhecimentos de defesa próprios das tribos, os quais a sociedade moderna – imersa em uma cultura de artificialização – não pratica.
Um dos conceitos-chave da Autoconstrutividade é fazer com que as pessoas abdiquem de casas em formato quadrado ou retangular, que reforça o individualismo. A ideia é que edifiquemos nossas moradas em formas geométricas que promovam a convivência em grupo, principalmente o círculo (comum às ocas, moradias tradicionais dos indígenas brasileiros, e aos iglus, habitações típicas dos esquimós norte-americanos, para citar dois exemplos).
“Nossa proposta não é substituir o quadrado pelo círculo, é questionar também: por que não outras formas de construir?”, enfatiza o educador Marcos Mandala, principal promotor da Autoconstrutividade no Paraná.
Apesar de se basear na construção da casa com as próprias mãos, empregando-se materiais alternativos, Mandala enfatiza que a Autoconstrutividade não deve ser confundida com favelização: “a Autoconstrutividade tem por objetivo o aumento da perspectiva de vida das pessoas, trazendo a elas um pouco mais de conforto”.
Marcos Mandala já está erguendo sua segunda casa sob o princípio da Autoconstrutividade. A primeira delas foi em forma de heptágono; a que está em construção, é um eneágono. A construção da nova morada, aliás, tem lugar em uma escola técnica industrial localizada em Araucária (PR), a Fundacen.
O construtor explica que a instituição “abriu os olhos para as comunidades indígenas e quilombolas” e, assim, iniciou um curso de Autoconstrutividade, voltado ao envolvimento não só de estudantes, como também de seus familiares e da comunidade de entorno. A nova casa de Mandala será o primeiro resultado mais visível desse projeto.
Bioconstrutora
Além de abrigar atividades do Festival de Cultura, as casas circulares erigidas temporariamente na Praça Santos Andrade servem de amostra de outra iniciativa de Marcos Mandala, a Bioconstrutora Velatropa. O nome da organização – que vem, justamente, de “velar pela tropa” – sugere o cuidado, a atenção de uma pessoa com a outra. Essa atenção é voltada à conquista de uma sinergia que, nas palavras de Mandala, acontece quando uma comunidade atinge um “padrão de felicidade e satisfação mútua”.
A Velatropa vem atuando há cinco anos. Segundo seu fundador, hoje trabalham na bioconstrutora 30 jovens que “estão vibrando com os projetos”. O mais conhecido destes é a Casa Mago Kintao, em Curitiba, cuja construção levou quatro anos e meio. Trata-se de um espaço cultural onde se exercitam princípios do Calendário da Paz.
Autoconstrutividade, eu e você
E por que eu, você, a sociedade de que participamos, deveríamos difundir a Autoconstrutividade? Marcos Mandala nos aponta um motivo desconcertante:
“Uma pessoa que mora “no círculo” é estimulada a pensar que ela é do planeta – ela recebe um estímulo para a espiritualidade. Uma pessoa que mora “no quadrado” crê que o planeta é um pedaço desse quadrado – ela é estimulada a ser uma pessoa competitiva, insegura.”
A Autoconstrutividade nos mostra, enfim, que a história do “cada um no seu quadrado” gera tanto o individualismo, como a infelicidade decorrente dele.
Que tal sairmos dos nossos quadrados e prestarmos mais atenção nas tendas que, ainda que simbolicamente, podemos construir para acolher e manter protegidas, junto de nós, as pessoas ao nosso redor?
“Esse material foi produzido por Dandara Damas, Lua Ressonante, e Jaciara Carneiro, profissional de Comunicação Institucional e Marketing Empresarial, com fotos dela e de Tatiana Stock, e faz parte da Comunicação Compartilhada do Festival de Cultura 5 anos. A iniciativa consiste no entendimento da comunicação como ação política e não apenas como canal de circulação de informações. Trata-se de um processo de interpretação da realidade desenvolvido colaborativamente em contraposição à lógica competitiva da mídia de massas. Para saber mais, acesse: cc.nosdarede.org.br.”
Durante o Festival, além de você curtir apresentações culturais, pode também produzir conteúdo midiático a respeito. Aqui você tem voz, não precisa de intermediário! Jornalista ou não, você pode colocar sua opinião e participar da cobertura do Festival. São três laboratórios de vídeo, áudio e texto, que estão disponíveis para aqueles que querem construir colaborativamente as notícias. Para participar é só chegar. Conheça abaixo os locais e as pessoas que já estão envolvidas. Entre em contato e venha dar sua mensagem!
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4 Respostas to As moradas circulares
Tweets that mention As moradas circulares - Comunicação Compartilhada Festival de Cultura do Paraná -- Topsy.com
27/11/2010 às 19:16
[...] This post was mentioned on Twitter by Daniela de Carvalho@, Festival de Cultura. Festival de Cultura said: Achou doida as estruturas montadas na Pça Santos Andrade?? leia sobre as moradas circulares em http://migre.me/2×8gf [...]
Eles atenderam ao chamado da Cultura - Comunicação Compartilhada Festival de Cultura do Paraná
02/12/2010 às 16:22
[...] Santos Andrade, Genevive Moreira assistia à palestra de Marcos Mandala do lado de fora da tenda Yurte, enquanto aguardava o início de uma oficina do Festival de Cultura 5 [...]
Café da Manhã com Mandala – Vivências do Calendário da Paz - Comunicação Compartilhada Festival de Cultura do Paraná
03/12/2010 às 03:02
[...] um café-da-manhã com o educador ambiental Marcos Mandala. Ele recebeu os participantes na tenda Yurte, espaço colorido e aconchegante montado na Praça Santos Andrade, em que foram ofertados e [...]
Saramago, Lis.boa e a “Europa” — Miradas
30/08/2011 às 06:16
[...] circular a partir de feixos de vários bambus, grossos, que se cruzavam – semelhanças com as bioconstruções do Festival daqui. Não levei câmera fotográfica porque nessas horas privilegio o momento – entre registrar e [...]