Música que brota da água

In: Notícias

2 dez 2010

Ton e Bel, do grupo Bambuzero, conquistaram novos fãs em sua apresentação no Festival de Cultura 5 anos, realizada na tarde de 27/11, no palco principal da Praça Santos Andrade. É o que se comprova pelos cumprimentos efusivos recebidos pelo casal após o show, enquanto Ton falava ao blog da Comunicação Compartilhada.

Pífanos

O público encantado pelo Bambuzero pode se dizer adepto de uma nova vertente da tradição musical dos pífanos, instrumentos originários da Europa que hoje são conhecidos dos brasileiros devido, sobretudo, ao trabalho de músicos nordestinos, como é o caso da notória Banda de Pífanos de Caruaru.

Pifes mudernos

Inicialmente concentrada na região Nordeste, a cena dos pífanos ganhou o Distrito Federal, com artistas como Mestre Zé do Pife e as Juvelinas; Minas Gerais, onde está o Cataventoré; e São Paulo, de onde veio o Bambuzero.

Radicado em Campinas, o grupo é representante de um movimento iniciado pelo músico carioca Carlos Malta, com a banda Pif Muderno (assim mesmo, com “u”). De acordo com Ton, a onda encabeçada pelo Pif Muderno “traz a cultura do pífano com harmonização, letra, violão e bateria”. Bel também atua em outro grupo dessa nova corrente, o Flautins Matuá.

Um diferencial do Bambuzero é que os músicos confeccionam seus próprios pífanos, que vendem após os shows. Ton igualmente nos explicou como se dá o “nascimento” desses instrumentos.

Do bambu ao pífano

Ton explica que a manufatura do pífano respeita as fases da lua, que regem a nutrição das plantas: na lua Minguante, a seiva dos vegetais “desce” e estes não se alimentam; na Cheia, a planta está plenamente nutrida e, em consequência, repleta de energia . Por isso, o músico afirma que o bambu nunca deve ser colhido nessa fase lunar: “se cortada na lua Cheia, a planta racha e atrai broca” – o que é especialmente fácil de acontecer com a espécie utilizada por Ton, oBambusa vulgaris, “bastante vulnerável a bicho”.

Para confeccionar seus pífanos, Ton segue todo um ritual:

1. Os bambus são colhidos no primeiro dia da lua Nova e ficam de um a dois dias em repouso.

2. A fim de se retirar a matéria orgânica (amido) de seu interior, os bambus são imersos em água. Ton afirma que o ideal é que sejam tratados em água corrente – no rio ou numa nascente, como é o caso dos pífanos do Bambuzero. Ali permanecem por 40 dias ou três luas-novas.

3. Os bambus são retirados da água e limpos. “Sai uma capa de matéria orgânica de dentro deles”, afirma Ton.

Vista das pontas dos pífanos

4. “Modelam-se” os pífanos, com todo cuidado para que se alcance uma afinação perfeita. As extremidades dos bambus são fechadas com rolha de madeira (como no pífano à esquerda, na foto acima). Outra opção de vedação é cortar o bambu após o nó da planta (como no pífano à direita, na mesma foto).

Faça você mesmo

Em 4 e 5/12, Bel e Ton vão ministrar uma Oficina de Pífanos na Chácara do Sol, em Morretes (PR). Você está convidado a participar. Informações, aqui.

”Esse material (texto e fotos) foi produzido por  Jaciara Carneiro, profissional de Comunicação Institucional e Marketing Empresarial, e faz parte da Comunicação Compartilhada do Festival de Cultura 5 anos. A iniciativa consiste no entendimento da comunicação como ação política e não apenas como canal de circulação de informações. Trata-se de um processo de interpretação da realidade desenvolvido colaborativamente em contraposição à lógica competitiva da mídia de massas. Para saber mais, acesse:cc.nosdarede.org.br.”

3 Respostas to Música que brota da água

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Tweets that mention Música que brota da água - Comunicação Compartilhada Festival de Cultura do Paraná -- Topsy.com

03/12/2010 às 00:37

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Fernando

29/08/2011 às 07:01

ADORO A DIVERSIFIDADE.

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SEO

30/08/2011 às 00:40

Muito Bom a Materia

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